
O resultado foi injusto. O Fluminense foi superior a LDU o jogo inteiro, e merecia melhor sorte. Thiago Neves fez uma ótima partida. Digna de um jogador que veste a camisa 10 do clube das Laranjeiras, que já foi, dentro outros, de Rivellino.
Pressionou o time equatoriano desde o início, impondo o seu ritmo de jogo. Colocou o adversário "na roda", e soube aproveitar a vantagem técnica que o seu elenco possui. Três gols foram realmente muito pouco.
Mas pecou em alguns momentos também. A defesa esteve muito mal. Thiago Silva é um jovem zagueiro de grande futuro, mas, principalmente nestas duas partidas da final, esteve abaixo da crítica. Precisa voltar a pensar em jogar futebol, e menos nas especulações quanto ao seu futuro.
Outro que não esteve bem foi o Ygor. Muito mal na marcação, principalmente no início da partida, quando a LDU se aproveitou da distração tricolor e abriu o placar.
Mas nada disso diminuiu o brilho da partida. Arouca, um leão no meio, principalmente no segundo tempo, dava alguma estabilidade - a mínima - que os armadores necessitavam para jogar e criar opções ofensivas.
A participação dos alas tricolores foi indispensável. Tanto Gabriel, quanto Júnior César, estiveram excelentes. Principalmente este último, que já merece, há tempos, uma convocação do Dunga. O pior para o Flu é que ele tem contrato até dezembro deste ano. Pode sair sem render um real sequer aos cofres.
Mas o Fluminense, mesmo com tudo isso, acabou perdendo nos pênaltis. Mais do que injusto, foi um pecado contra os deuses do futebol. Pelo toque de bola refinado do Thiago Neves e do Conca, pela habilidade e velocidade do Júnior César e do Gabriel, pelo equilíbrio técnico e tático do Arouca, o Flu merecia o título.
Foi a melhor equipe da Libertadores. Até a partida final, tinha em torno de 80% de aproveitamento dos pontos disputados. Um dos melhores ataques da competição.
A LDU é uma boa equipe, mas muito limitada. Tem bons jogadores, como Bolaños e Guerrón, que se destacam principalmente pela preparação física. Embora tenham alguma habilidade, não são craques. Mas o futebol, assim como a vida em geral, não é justo. E eles foram os campeões.
Evidentemente, isto não faz do Fluminense um clube "menos grande". O torcedor pode e deve continuar gritando, que é "do clube tantas vezes campeão". E é assim que a grandeza é construída. Não com temporadas e momentos passageiros, mas com constância de qualidade.
E daí que o Fluminense não tem a Libertadores? Ainda merece muito respeito. Na verdade, o azar é da própria competição, que deixa de ter um campeão de qualidade, digno de representar o troféu contra o vencedor da Champions. O tricolor é 30 vezes campeão estadual, tendo disputado finais inesquecíveis. Ganhou o campeonato brasileiro em 1984. Vestiram o manto tricolor, entre outros craques, Tim, Telê Santana, Castilho, o mestre Didi, o maestro Gérson, o capitão Carlos Alberto Torres, Roberto Rivellino, Assis, Branco, e o próprio treinador, Renato Gaúcho.
Que o torcedor tricolor não abaixe a cabeça. Chorar é inevitável. Não é todo dia que se disputa um título desta magnitude. Não é todo dia que se está à um gol da glória. Mas vale dizer que o tricolor não caiu. Morreu dignamente, lutando.
Nas palavras de Nelson Rodrigues: "Eu vos digo que o melhor time é o Fluminense. E podem me dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos".
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Apenas mais dois comentários: na metade do segundo tempo, quando ainda pensava que o Flu pudesse levar a partida no tempo regulamentar, comecei a escrever este "post" na minha cabeça. E algumas coisas surgiram na minha mente, as quais gostaria de expressar.
Em primeiro lugar, sobre o Fernando Henrique. Gostaria que ele tivesse sido campeão. Tornaria esta crítica muito mais fácil. Na derrota, as pessoas tendem a achar que toda crítica é uma caça às bruxas. Mas a verdade é uma só. FH fez uma ótima Libertadores. Fez, inclusive, uma ótima final. Mas não é goleiro para o Fluminense. E faço esta crítica no seu melhor momento, para não dizerem que me aproveito de uma má fase. O clube das Laranjeiras precisa de um arqueiro que proporcione maior confiança.
Em segundo lugar, a diretoria deve ter calma e paciência neste momento, respirar fundo, "colocar a bola no chão" e começar a pensar no Brasileiro. As próximas três rodadas são favoráveis para que o tricolor saia da zona do rebaixamento. Mas precisa se recuperar logo desta derrota. E fazer o possível para negociar o mínimo do time.